Menu fechado

Microplásticos e fertilidade: preocupação real, mas sem alarmismo

Microplásticos são partículas de plástico menores que 5 mm e estão no ar, na água e em alimentos, especialmente quando há muito contato com embalagens. Na reprodução humana, o tema ganhou força porque estudos recentes identificaram microplásticos em fluidos reprodutivos, incluindo sêmen e líquido folicular — ambiente que envolve o óvulo durante seu amadurecimento.

Isso não significa que todo caso de infertilidade tenha relação com plástico, nem que já exista prova definitiva de causa e efeito em humanos. Mas acende um alerta: essas partículas e seus aditivos podem se associar a inflamação, estresse oxidativo e possível interferência hormonal, mecanismos importantes para qualidade dos espermatozoides, maturação dos óvulos e desenvolvimento embrionário.

Na prática, a orientação é reduzir exposição sem paranoia: evitar aquecer comida em recipientes plásticos, preferir vidro ou inox para água e alimentos, diminuir descartáveis, escolher alimentos menos ultraprocessados e manter boa ventilação e limpeza de poeira em casa.

Para casais tentando engravidar, especialmente antes de FIV/ICSI, vale olhar além dos exames tradicionais: idade, reserva ovariana, espermograma, fragmentação de DNA espermático, hábitos de vida e exposições ambientais. Fertilidade é multifatorial — e o microplástico entrou definitivamente nessa conversa.

Base científica: microplásticos são definidos como partículas plásticas menores que 5 mm; há estudo de 2025 descrevendo a primeira detecção em líquido folicular humano; e estudo multicêntrico de 2024 encontrou associação entre exposição mista a microplásticos e parâmetros seminais, embora a causalidade em humanos ainda não esteja estabelecida

DR LUIS CLÁUDIO